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bagdad cafe

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‘Bagdad Cafe’ ou ‘Out of Rosenheim’ é um filme singelo que silenciosamente permanece na alma e na mente muito depois do sol laranja se pôr atrás do pequeno café perto da curva da estrada. É um filme que fala através das cores, da música e dos gestos. É um filme que fala sobre a doce libertação. Um filme que aborda a sensação de deserto interior, e a vontade de abandonar e mudar tudo sob um sol abrasador. Um filme cult que retrata as diferenças culturais onde é possível encontrar possíveis afinidades. As duas personagens principais são marcantes: Jasmim e Brenda cujas vidas se cruzam em um ponto situado no meio de lugar nenhum de uma estrada que corta o deserto de Mojave na Califórnia. ‘Bagdad Cafe’, em todo momento, mostra o sentimento da solidão e a magia das transformações. É uma obra de arte do cinema, uma fábula do mundo contemporâneo, é um daqueles filmes de rara beleza e sensibilidade. ‘Bagdad Cafe’ nos faz lembrar quão belo e diferente é o cinema europeu.

Do diretor Percy Adlon, um dos mais respeitados do cinema alemão, que também colaborou com o roteiro e a produção, ‘Bagdad Cafe’ é um clássico do cinema europeu que, apesar de datar de 1987, é atual. Com um roteiro simples e surrealista, conta a história de Jasmim (Marianne Sägebrecht), uma turista alemã que após uma discussão na estrada abandona o marido que a maltratava. Com nada além de uma mala pesada e seu terno de lã cambaleia pelo deserto hostil onde encontra um pequeno motel, um posto de gasolina e o café que levam o nome do filme. Um local empoeirado e decadente gerido por uma proprietária negra, Brenda (CCH Pounder), que também discute com o marido que nesse caso, é quem não entende a grosseria da esposa e vai embora. O local que não têm hóspedes e nem clientes é freqüentado por uma combinação estranha de habitantes e todos são motivos de aborrecimento, decepção ou transtorno para Brenda. Brenda é seca e árida como o deserto.

As palavras são poucas, e o silêncio é quebrado pela música de um velho piano e pelos gritos de Brenda. As raízes do caos e da hostilidade cresciam fortes até o momento que Jasmim surge, igualmente perdida e esquecida, mas guiada por sonhos e penetra como hóspede naquele mundo duro e seco. Inicialmente hostilizada por Brenda, conquista espaço aos poucos e de repente, estão todos se ajudando como num passe de mágica. Jasmim limpa, organiza e harmoniza o bar-café e o transforma num ponto de parada obrigatória para motoristas que passam pela região. E cresce, então, a flor dos sonhos, cobrindo as raízes secas da amargura. Desde o início, Rudi Cox foi o único que a compreendeu, talvez por ser pintor tenha conseguido ver luz onde havia apenas sombras. E Jasmim torna-se a amiga estrangeira que fascina e compreende os filhos de Brenda; torna-se a mulher que alimenta as fantasias do velho pintor solitário; e passa a ser a companheira da dona do Café Bagdad. Jasmim, a enorme alemã, liga-se a Brenda, a negra de corpo mirrado, mas ambas são fortes. ‘Bagdad Cafe’ é um filme de contrastes onde surgem as identificações.

São nas interpretações que o filme encontra sustentação do início ao fim. A atriz alemã Marianne Sägebrecht, ex-artista de cabaré, é o grande nome do filme, é tão perfeita que é difícil saber o que mais nos cativa nela. Brenda é magnificamente interpretada por CCH Pounder, nascida na Guiana Inglesa. Jack Palance, num papel menor, se destaca como ex-ator e pintor. Mas, a trilha sonora merece destaque. A canção tema, ‘Calling You’, de Bob Telson que é cantada por Jevetta Steele de forma esporádica durante todo o filme concorreu ao Oscar de melhor canção original. ‘Calling You’ é de uma beleza melancólica que não envelhece nunca, uma espécie de lamúria profunda que reflete perfeitamente o clima de solidão do deserto e das personagens. Todas as vezes que o filho de Brenda tenta quebrar esse clima com uma canção alegre ao piano, é impedido de tocar, deixando a sensação de que não há espaço para sentimentos harmoniosos naquele lugar. ‘Brenda, Brenda’ é uma animada canção e soa como a resposta para as transformações realizadas por Jasmin na vida de todos, principalmente na vida de Brenda. Também digna de nota é a sublime 'C-Major Prelude' de Bach aumentando ainda mais o peso emotivo do filme. Mas o momento de maior beleza é mesmo o grito doce, mas desolado de ‘Calling You’. Já no início do filme com Jasmim arrastando a sua mala e sua dor pela beira da estrada, a câmera a focaliza pelas costas, e ‘Calling You’ preenche o cenário e ecoa pela longa estrada da solidão como uma brisa quente vinda justamente na sua direção, com a esperança de uma mudança se aproximando, como uma doce libertação. E de repente, no meio da desolação do deserto, cria-se um oásis de possibilidades escondidas. ‘Bagdad Cafe’ e ‘Calling You’ são um dos momentos cinematográficos mais belos que já vi e ouvi.

Bagdad Café Bagdad Café

Bagdad Café Bagdad Café

Bagdad Café Bagdad Café

jevetta steele - calling you



soundtrack - bagdad cafe (1988)

Bagdad Cafe: Original Motion Picture Soundtrack (1988)

download:
parte I    parte II

Tracklist
01. Jevetta Steele - Calling You (Bob Telson)
02. William Galison - Blues Harp (Bob Telson)
03. Deninger Blasmuski - Zweifach (German Traditional)
04. Jearlyn Steele Battle, Marianne Sagebrecht - Brenda, Brenda (Bob Telson)
05. Darron Flagg - Prelude and Fugue No. 1 in C major (Johann Sebastian Bach)
06. Bob Telson – Calliope (Bob Telson)
07. Bob Telson - Calling You (Bob Telson)
08. Deninger Blasmuski - Bagdad Café (Percy Adlon)

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Chuva não desanimou e Ozzy fez apresentação empolgante em São Paulo

Ozzy OsbourneCom pontualidade inglesa teve início, as 21h30 de sábado, 03/04/2011, o show de Ozzy Osborne na Arena Anhembi, São Paulo. Trinta mil pessoas assistiram por uma hora e meia um senhor de 62 anos correr, pular, lançar jatos de espuma na platéia, tomar banho de balde e cantar com a mesma voz de antigamente sucessos como "War Pigs" e "Fairies Wear Boots". De início, "Bark at the Moon" levou o público a uivar para uma lua inexistente, encoberta pela chuva que caia de maneira intermitente. Capas eram colocadas e retiradas, mas ninguém parecia se importar. Ozzy mandou a chuva "se danar", todos riram e concordaram. Com "Mr Crowley" a Arena foi transformada em um verdadeiro mar de mãos fazendo chifrinhos, gesto comum em shows de rock. Os mais inspirados usavam adereços luminosos na cabeça.

Com mais de uma hora de apresentação e caminhando para o fim, um morcego de plástico foi lançado no palco. Ozzy, no meio de "Iron Man", foi até lá, colou o brinquedo na boca e fez graça por alguns segundos, remetendo ao incidente de 1982 em que mordeu um morcego real pensando ser de plástico. No bis, a platéia foi instigada a pedir mais uma música. "No More Tears", muito pedida, ficou de fora. Entraram "Mama, I'm Coming Home" e "Paranoid", que, como em Porto Alegre no último dia 31 de março, fechou o show em grande estilo. Na Avenida Olavo Fontoura, transformada em uma enorme calçada pela multidão que começava a voltar para casa, muitos cantavam as músicas que tinham acabado de ouvir, alguns comiam, outros comentavam que os pés estavam encharcados, mas ninguém reclamava do show. Faça chuva ou faça sol, Ozzy agrada a todos. Dia 5 de abril é a vez de Brasília. (fonte: FolhaOnLine)

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